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Incêndios florestais: a versão oficial do governo encobre um crime impossível de esconder

Quinta-feira, 24.08.17

 

 

O impensável aconteceu este ano. Em nº de incêndios e em extensão de área ardida, conseguiu ultrapassar 2003. O norte e o interior do país vive uma situação que se assemelha a "estado de sítio" e/ou "estado de emergência".

Vemos alguns presidentes de câmara e presidentes de Junta de Freguesia a acompanhar, desesperados, situações absolutamente dantescas. O presidente da câmara do Fundão chegou a verbalizar, ao ver o nº de frentes num incêndio que destruiu a Gardunha, tratar-se de "terrorismo". Agora vê, incrédulo, o fogo a progredir pelo Pinhal Interior.

Terrorismo. Não foi o único a dizê-lo. De facto, é perfeitamente adequado dizê-lo: o crime dos incêndios configura gravidade equivalente ao terrorismo. Na sua voracidade criminosa, nem a tragédia os trava.

E qual é a versão oficial do governo? Precisamente: "negligência". Isto é: morreram pessoas, pessoas ficaram sem casa, sem os animais, as hortas, as àrvores de fruto, os pinhais. A resposta é: "actos de negligência".

De qualquer modo, os cidadãos já perceberam que lhes estão a mentir.

 

Um governo que consegue deixar os seus cidadãos indefesos, vulneráveis, entregues à sua capacidade de sobrevivência, não nos serve. Devia ter vergonha de vir enumerar os "bons resultados" em cima de cinzas  fumegantes. 

A ministra da Adminisstração Interna devia ter vergonha de vir à televisão titubear disparates, sobretudo quando interrompeu o programa "Negócios da Semana" da Sic Notícias sobre "A Economia do Fogo".

A representante pela comunicação da Protecção Civil devia ter vergonha de vir enumerar as "ocorrências" e descrever as "condições atmosféricas". Vemos o contraste da sua verborreia inútil nas imagens de pessoas a defender sozinhas as suas casas, em aldeias rodeadas pelo fogo. 

A Polícia Judiciária devia ter vergonha de só apresentar resultados em nº de detenções de indivíduos  suspeitos, em vez de controlar os referenciados e prevenir o crime organizado. Se a prevenção de riscos de segurança para as populações não cabe à polícia especializada, a quem cabe?

Os media deviam ter vergonha de repetir acriticamente a versão oficial. Há excepções, no entanto, de jornalistas que fazem as perguntas certas.

 

Neste país não se avaliam governos, ministros, deputados, nem políticos em geral. Neste país ninguém é responsável por nada. Neste país não nos dizem a verdade.

E ainda temos o azar de ter um dilema: a alternativa PSD/CDS é pior. Daí a nossa necessidade de criar novas plataformas políticas.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:23








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